Bom, hora de testar este aplicativo para Android.
Me parece que é bastante bom. Talvez assim eu volte a postar mais.

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Este texto foi escrito a pedido da Thaísa, do blog Donas de Casa que jogam WoW. Achei que valia colocar aqui também. ^^

Existem duas formas de avaliar um conteúdo de blog. Ok, existem várias, mas para meu texto, vou comparar as duas principais.

A primeira, mais óbvia, é a de pageviews. Para quem não conhece, vou explicar de forma rápida, simplista e resumida: é o número de visitas ao blog. Isso é válido para qualquer página da internet. Se vc tem uma página que é muito visitada, ela terá mais pageviews e, portanto, ela tem muita visitação.

É uma forma importante de visualizar o quanto o assunto (ou o conteúdo da página) é relevante para o público do blog/site. Se uma área sobre "novidades" é a área mais acessada, então é a que deve ter mais atenção por parte de quem publica.

Assim, o recurso de pageviwes (e outros contadores) é um recurso muito importante para quem publica. Mas existe outra forma.

Esta segunda forma são os comentários. É claro que não há como existir mais comentários que pageviews, e provavelmente deve ser coisa de 1% das pessoas que visitam as que comentam um conteúdo. Mas, para quem cria o conteúdo, é a melhor forma de avaliar o trabalho.

Pense assim: uma página de novidade é criada, na maioria das vezes, de forma dinâmica, ou seja,sem a intervenção direta do autor. Assim, como é possível avaliar de forma qualitativa o trabalho do autor? Exatamente! Pageviews são quantitativos, e comentários são qualitativos.

Para quem cria, a melhor forma de avaliação são os comentários. Mesmo os negativos são bem vindos; às vezes até mais do que os "ah, legal!" que aparecem por aí. Comentários dão uma noção que não apenas estão visitando o conteúdo, mas também estão lendo, aproveitando e, com sorte, curtindo. Além de mostrar o que os leitores do blog (ou visitantes da página) querem ver, o que mais gostam e tal.

Então, quando estiver lendo um blog que gosta, com conteúdo interessante, comente. Autores são pessoas que, como a maioria, gostam de um incentivo, apreciam uma boa crítica (boa ou ruim).

Quem me conhece sabe o quanto eu gosto da Nokia. E do Windows.

E quem lê notícias sobre o Windows Phone 7 deve imaginar que vem algo bastante bom.

A Nokia finalmente anunciou o novo telefone deles usando o OS da Microsoft: o Nokia Lumia.

Não vou entrar em detalhes técnicos, pois basta clicar no link que abre uma página falando dos dois modelos, o Lumia 800 e o 710. Parevem muito legais, e tem o design que eu gosto dos últimos espertofones deles. \o/

E lançando logo, o que é ótimo. Pena que aqui, em terras descobertas pelos grandes desbravadores europeus há alguns séculos, só chegará ano que vem. Mas tudo bem, preciso terminar de pagar o cel atual mesmo! =P

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É difícil dar opinião hoje em dia.

Ok, sempre foi um tanto difícil, mas noto que é cada vez mais difícil dar sua opinião sem ser linchado. Mesmo que apenas verbalmente. É tão difícil quanto fazer humor, onde é cada vez mais complicado saber quando se passou a linha do “politicamente correto”. Mas não entrarei nesta discussão. Não em um meio como a internet, e não agora.

Explico o porquê deste post: o jogo que mais jogo atualmente (World of Warcraft, da Blizzard) está sendo localizado. Aliás, se você lê sobre essas coisas, sabe que está até meio que terminando, inclusive. Então, como todo bom produto localizado, ele não apenas foi traduzido, como foi adaptado à realidade da língua e local a que foi realizado: no caso, esse Brasil varonil.

A tradução, gerenciada pela própria desenvolvedora do jogo, está indo a bom termo, e está muito boa, pelo que vi. As dublagens, e tem boas centenas de horas de áudio no jogo, também está bem traduzida e dublada; pegaram dubladores muito bons para fazer as vozes.

Mas, e sempre tem um “mas”, eu não gostei muito. Ok, explicando melhor: eu não gostei das traduções dos nomes dos personagens e dos lugares. O restante eu gostei, e obviamente, incentivo. Acho que, para quem não tem acesso ao inglês, por qualquer razão que seja, é uma ótima notícia.

Só que eu me incomodei muito. Pra mim, é como assistir ao Duro de Matar (Die Hard) e ver o João da Linha (tradução minha, livre e exagerada de John McClane) matando os bandidos. Claro que isso não aconteceu, mas para mim, é quase isso. Traduziram nomes como “Garrosh Hellscream” para “Garrosh Grito Infernal”. Está incorreto? Não. Está estranho? Sim. É como traduzir “Dan Brown” para “Dani Marrom”.

Brown é um sobrenome, que deriva de uma palavra comum. No caso anterior, o nome de uma cor. No caso do personagem, uma característica do personagem, de onde derivou seu sobrenome. E isto sim me incomoda.

Então, agora que expliquei, faço um pedido às pessoas que leram isso, sejam quem forem: entendam que eu não ODEIO tradução. Entendam que eu PREFIRO o original. E que “preferir” não significa “não gosto do outro”. Existem muitos tons de cinza entre o preto e o branco.

Au revoir! o/

- Parece preocupada, Lys. – falou a Draenei, sentando-se na mesa com a druida. – Creio que tem algo a ver com nossa nova missão, ou há algo que ainda não sei?

- Ela está sempre preocupada, agora! – disse sorrindo a pequena maga, que sentava-se com suas altas companheiras de guilda. – Ela não ri mais ultimamente, nem comigo!

- Desculpe-me, Arvy. – respondeu Lysanthia com um sorriso com traços de cansaço. – Sabia que não seria fácil e aceitei o desafio, mas com tudo que tem acontecido no mundo, além de nossos novos mentores, mal tenho tempo de dar atenção a vocês.

- Eu estava bricando com você, Lys. – respondeu a gnoma com uma de suas características risadas. – Mas queremos ajudar. Vamos, diga lá o que se passa nessa cabecinha complicada!

Lysanthia sorriu. A maga se tornava a cada momento mais e mais poderosa, mas seu bom humor não mudava um átimo. Mesmo enfrentando as perigosas hordas de Ragnaros, o bom humor contagiante de Arviny era um alívio para muitos, mesmo em momentos sérios. A presença da shaman Kaliope, com seu jeito direto ainda que carinhoso, também auxiliava a druida a relaxar neste momento. Gostaria de ter a presença de outros Blue Roses por ali, mas também era uma reunião ao acaso.

- Kali está certa quando diz que meus pensamentos estão direcionados à minha nova missão com o Bronze Dragonflight. – começou a explicar Lysanthia.

- Nossa missão, dona elfa! – interrompeu Arviny, em tom de brincadeira. – Estamos todos juntos na guilda, afinal!

- Tem razão. – continuou a druida. – à nossa missão com os dragões de bronze. Mas estou dividida quanto a carregar o brasão da rosa em chamas em meu peito. Antes que possam me interromper, não estou pensando nem em sair, nem em dissolver a guilda.

A tensão que percorreu o corpo da shaman e da maga desapareceu tão rápido quanto apareceu enquanto Lysanthia falava. Apesar de não se sentir a líder mais presente, não ser a fundadora, nem estar em uma guilda grande, era notável o quanto as pessoas que a seguiam gostavam da guilda. Por um lado era bom, pois sabia que poderia confiar nestas pessoas mas, por outro, aumentava o peso da responsabilidade em seus ombros.

- Só acho que, talvez – continuou a druida. – o brasão que carregamos não esteja condizente com o que a guilda é atualmente. Talvez não seja decente de minha parte explicar o porquê do nome atual, mas eu posso garantir que não poderia estar menos de acordo com o que fazemos hoje.

- Isso, deixe uma maga poderosa como eu curiosa. – disse a gnoma, dando outra de suas gargalhadas. – Se eu não fosse tão calma e sossegada, faria você falar agora mesmo com minhas magias!

- Há muita honra em não falar algo que não há permissão, pequenina. – retrucou Kaliope. – Não há necessidade de explicar o que não deve ser explicado, Lysanthia. Continue, por favor.

- Aff, sua chata. Estava brincando. – respondeu Arviny para a shaman, dando outra risada.

A elfa, então, continuou explicando o que pensava sobre a guilda e o que ela representava. embora não tenha contado a história da Death Knight e o que a motivou a chamar sua guilda de Burning Rose, comentou que o nome havia surgido de uma necessidade de expressar dor, angústia e vingança. E as três concordavam que atualmente não havia nada disso na guilda, pelo menos não como objetivo comum. Então, tanto para não macular a memória inicial da guilda quanto para separar a guilda atual da motivação antiga, precisavam de um novo emblema e, talvez, até mesmo de um novo nome.

- Mas fico pensando se não é um preciosismo desnecessário fazer isto, sabe? – finalizou a druida. – Como insistir em polir o interior de um Fel Iron Casing, que não trará benefício palpável além de facilitar a movimentação do equipamento que ele encerra.

- De novo citando coisas de engenharia que nenhuma de nós entende, Lys? – respondeu Arviny, bem humorada. – Mas entendi. E não acho que seja preciosismo assim. Acho que tem muito a ver com nosso momento atual!

- Concordo plenamente com Arviny, Lys. – retrucou Kaliope. – Acredito que ninguém saiba, além de você, o porquê do nome ser o atual. Mas, se soubessem, certamente concordariam que o emblema que carregam não justifica suas ações e decisões.

- Agradeço a compreensão das duas, e também o suporte. – respondeu visivelmente mais aliviada a druida. – Acho que eu precisava mesmo falar sobre isto, para tirar o peso de minhas costas.

- Sou obrigada a concordar com vocês. – falou uma voz desconhecida para as duas, mas não para Lysanthia. – Aprender com o passado e, a partir dele, projetar o futuro é algo que nós, os dragões de bronze, nem sempre podemos fazer, estando ligados a todos os momentos ao mesmo tempo.

- Tyor! – exclamou surpresa a druida, ainda não acostumada a não perceber a chegada da dragoa, mesmo em forma élfica. – Está há quanto tempo aqui?

- Pouco, Lys. – respondeu a dragoa com um leve sorriso em seu rosto de linhas finas. – O suficiente para saber que tomou uma decisão, e feliz de estar presente em um momento que sei ser de suma importância a todos os envolvidos. Ah sim, olá Arviny Flamewater e Kaliope. Muito ouvi falar de vocês já.

- Espero que nada de ruim. – respondeu rindo a pequena maga. – A julgar como Lys te chamou, devo supor que estou diante de Tyordormi, a dragoa de bronze que leva Lysanthia para todos os cantos do tempo, não?

- Perfeitamente, jovem maga. Sou eu mesma. – respondeu Tyordormi, olhando para a gnoma e também para a shaman.

- Suponho que veio me buscar para uma nova missão, Tyor? – indagou Lysanthia, vendo que Kaliope nada falaria. – Preciso apenas de um tempo para pegar minhas coisas no banco.

- Não desta vez, jovem Lysanthia. – disse a dragoa, impedindo com um gesto que a druida levantasse. – Acredite ou não, não tensiono trazer apenas desgraça e infelicidade para sua vida. Estou aqui apenas apreciando a convivência com meus protegidos e com esta interessante raça que são os anões. Continue, portanto, o que falava antes de eu interrompê-la.

- Ah certo. – respondeu meio sem jeito a druida, achando que havia sigo rude. – Bom, eu venho pensado há um certo tempo sobre isso, buscando uma idéia que represente o objetivo da guilda, mais do que ser apenas um nome a ser reconhecido.

- Não sei se terei muita valia neste caso, amiga Lys. – respondeu Kaliope. – ando peregrinando muito nos últimos tempos, tentando auxiliar o combate aos seguidores de Deathwing em Twilight Highlands. Mesmo com a presença dos dragões vermelhos, não vejo como auxiliar neste quesito.

- Você fala como se sua ajuda não fosse importante, Kali. – respondeu rindo a gnoma. – Mas realmente, auxiliar os guardiões do Tempo não é uma tarefa fácil, e deveríamos mostrar ao mundo o que fazemos!

- Não seria positivo isto para sua missão, pequena gnoma. – interviu Tyordormi. – Seu trabalho não apenas não exige notoriedade, como não deveria existir alguma. Não queremos que nossos antagonistas saibam de antemão que fazemos, não acha?

- Mas… – tentou continuar a gnoma, ao mesmo tempo que Lysanthia voltava a falar.

- Tyor tem razão, Arvy. – disse a druida. – Por outro lado, acho que podemos chegar a uma média, não? E creio que, graças a vocês todas, me ocorreu uma idéia que pode ser interessante.

Foi possível notar um leve sorriso surgindo no rosto normalmente sério da highelf-dragão. Obviamente, ela já sabia o que estaria por vir, e aprovava.Ou talvez soubesse além do que deixava transparecer.

O barco atracou no enorme porto de Storwind com suavidade. Seu capitão era realmente digno de seu posto, mantendo a tripulação funcionando como se fosse uma engenhoca criada por um gnomo. E engenhocas que funcionavam direito era algo que sempre animava Lysanthia. Um pouco mais leve com a comparação, a druida desembarcou, ao lado de diversas outras pessoas vindas da vila Rut’theran, em Teldrassil.

Subindo em direção ao centro da cidade, conversando amenidades com um anão shaman sobre as pesquisas dele em Uldum ao lado da Liga dos Exploradores, teve uma idéia. Na verdade, ela logo notou que era algo que precisava fazer.

Ainda acompanhada do pequeno shaman, a druida seguiu para o distrito dos anões, onde geralmente encontrava companheiros de guilda. Queria encontrar algum dos Blue Roses para conversar sobre algumas idéias, modificar algumas coisas. Foi quando encontrou Kaliope na forja do distrito, ao lado de alguns lingotes de Saronita. Ela estava usando uma armadura leve, e parecia um tanto cansada fisicamente, mas movia-se com a sua graça natural apesar de tudo.

- Bom dia, Kali. – falou a druida, chegando mais perto da área dos ferreiros. – Mais saronita?

- Ah, olá, Lys. – respondeu Kali, limpando as mãos sujas de fuligem em um pano preso à sua cintura. – Sim, coletei mais alguns minérios e estava transformando em lingotes para te mandar mais uma remessa. Você parece mais leve hoje.

- Por Elune! – respondeu a elfa, rindo. – Nada escapa a você? Ou eu que sou transparente demais?

- Talvez ambos, quem sabe? – respondeu a shaman. – Devo terminar de produzir seus lingotes até o fim do dia. Espero que não tenha pressa.

- De forma alguma, Kali. – falou Lysanthia. – Termine a seu tempo, ainda tenho muitas coisas a fazer. Você viu Arvy, Abobrinha, Flozzy ou mesmo Kamus Death? Preciso falar com algum deles.

- Infelizmente não, desculpe. – respondeu Kaliope. – Talvez você encontre a gnoma na taverna, mas confesso que não a vejo mais andando por Stormwind com frequencia. Quer que eu os procure?

- Não será necessário, obrigada. – replicou a druida.- Posso esperar por eles para discutir sobre a guilda.

- Está bem. – disse a shaman. – Voltarei a fazer os lingotes para você, mas já falei que deveria tomar mais decisões sozinha. Seu bom senso é maior do que acredita, jovem elfa.

A druida sorriu e seguiu para a taverna dos anões. Sabia que era verdade o que Kaliope dissera, que deveria tomar mais decisões sozinha sobre a guilda, mas relutava. E, embora a maioria das decisões que tinham sido acertadas eram, de fato, idéias suas, não conseguia pensar que a guilda deveria acatar ordens, como se fosse uma guilda marcial.

Olhando o vai e vem das pessoas na taverna, a druida pensava. Pensava sobre tudo o que passou ao lado de Tyor, aliás, de Tyordormi, a sua dragão-guardiã, o que viu sobre as origens de sua ex-líder, a saudosa Zahnia, e sabia que precisava tomar a decisão que há muito pesava em seu coração. Entendia agora o nome da guilda, o porque a guilda tinha esta direção marcial na época, e sentia que não mais combinava com a direção que a druida havia escolhido para o futuro dos companheiros. Sentia que não era mais a Burning Rose que estava sob sua tutela, mas um grupo de aventureiros bem diferentes.

Era fato que alguns membros não aprovaram totalmente sua decisão de trabalhar com os dragões de bronze. Certamente estes mesmos iria preferir se unir a outros dragões, ou simplesmente seguir com o caminho que a guilda já seguia, mas não era mais o caso há muito tempo. Dos membros originais da guilda, apenas ela permanecia. E os novos membros eram mais semelhantes a ela que à Zahnia.

Assim que chegou à conclusão que precisava, de fato, demonstrar a todos a mudança que acontecia na guilda, entrou Kaliope, com o ar um pouco cansado, conversando com uma gnoma animada, que ria muito. Acenou para que elas sentassem ao seu lado, para conversar. A presença da maga Arviny certamente não era apenas uma coincidência. Finalmente teria alguém para conversar sobre a guilda e, possivelmente, tomar suas decisões.

Saindo do portal criado por Tyordormi, e ainda em cima da dragoa, Lyasnthia olhou para o cenário que estava à sua frente, reconhecendo parte dele e porque era avermelhado.

Por todos os lados via-se enormes cristais avermelhados, que emitiam uma energia débil, nem boa nem negativa. Os cristais estavam rachados em diversos pontos, certamente por conta do impacto que os cravara no chão, e pareciam sangrar. O líquido avermelhado que escorria das fissuras parecia sangue, e era perceptível sentir que a fauna e a flora do local estava mudando; o próprio chão onde estavam encravados os cristais parecia contaminado de alguma forma. Estavam sobrevoando a ilha ao norte de Azuremyst.

Olhando para o sul, ainda era possível ver fumaça saindo da ilha, na direção de onde ficava Exodar. Ou a enorme nave dimensional acabara de cair, ou sua queda ainda era recente. Mas não tinha como ver com precisão a nave para se situar corretamente no tempo. E nem mesmo teve tempo de se preocupar, pois logo abaixo das duas estava uma situação um tanto preocupante, mesmo que soubesse o que estava por vir.

De perto de um dos cristais, um portal nefasto estava aberto, e diversas criaturas saíam dele. Não podia sentir seu cheiro, o que era bom, mas sabia o que eram. Seus torsos nus, com a cintura para baixo como a de cabras, com cascos rachados e mal cuidados, suas costas e braços cobertos pela mesma pelagem que cobriam parte de suas cabeças, grandes chifres e presas e o olhar de pura maldade e vontade de destruir, ainda que não fossem totalmente definidos àquela distância, tornava a presença dos Satyrs uma realidade, e o começo da profanação daquela ilha.

Vindos do sul, em direção à horda de satyrs que estava aparecendo uma outra horda chegava. e esta contrastava fortemente com a que estava vendo. Seus integrantes lembravam bastante os Satyrs, mas no lugar da pele avermelhada daqueles, estes tinhas as cores variando do branco ao azul. Estavam vestidos em armaduras douradas e brancas, e podia ver a bandeira azulada com um símbolo dourado hasteada e levada à frente da falange de paladinos da ordem Hand of Argus. Eram os paladinos draenei que chegavam para combater a invasão demoníaca dos Satyr. Era perceptível que as forças draenei estavam em menor número que os Satyrs, e que os números destes só aumentavam, mas a falange draenei seguia sem hesitar.

Quando os paladinos pararam frente aos Satyr, que olhavam para os draenei como lobos famintos olham para coelhos, o paladino que portava a bandeira da Hand of Argus se adiantou e seguiu sozinho para o Satyr mais alto, que estava à frente dos demais, que parecia ser uma espécie de líder. Era visivel agora para Lysanthia, que estava ainda às costas da dragoa que se sustentava no ar, acima dos exércitos, que a missão dos draenei ali eram de paz. Tão visível quanto a missão dos Satyr não era.

Assim que o portador da bandeira se aproximou do Satyr, este atacou o paladino, arrancando com um tapa das costas de sua mão o elmo do paladino e cravando suas presas afiadas no pescoço vulnerável do draenei. E assim houve a primeira agressão, e as duas forças entraram em combate.

- Ainda não entendo o que devo ver aqui, Tyor. – falou a druida para a dragoa. – Ainda que não me agrade ver este combate, me parece certo que os paladinos tem vantagens neste combate.

E, de fato, apesar da diferença numérica entre as duas forças, e do fato que muitos paladinos tombaram ante a selvageria dos Satyr, a Luz Sagrada dava uma vantagem considerável aos combatentes de outro mundo.

- Tenha paciência, jovem druida. – respondeu a dragoa, com a voz de quem sabe o que vai acontecer. – Não tardará o momento que você desejará não ter me conhecido.

- Não creio que isso seja possí…

A frase de Lysanthia for cortada por um grito cheio de dor e ódio vindo do campo de combate. Não era diferente dos demais gritos, mas destacava-se pela leve familiaridade na voz que gritava.

- Zahnia… – sussurou Lysanthia ao reconhecer a voz.

Olhou na direção que ouviu o grito e viu, entre um grande número de corpos avermelhados de Satyrs, uma paladina que gritava com outra draenei no seu colo.

Mesmo à distância que estavam, a druida podia ver nos olhos da draenei o ódio e a dor que queimavam sua antiga líder, então uma paladina. E pode notar, na draenei que estava no seu colo, visivelmente morta, os traços semelhantes àquela que gritava. Zahnia gritava longa e dolorosamente, olhando para os céus, em sua língua natal. A druida não sabia o que ela estava falando, mas era claro que eram maldições para os Satyrs que estavam à sua volta. E um deles, ao ver Zahnia, jogou uma bola de fogo nelas, ateando fogo às vestes das duas paladinas.

Lysanthia não pensou duas vezes, saltando de cima da dragoa em direção à sua ex-líder, transformando-se em ave de rapina no processo. Ainda que a dragoa tenha demorado apenas um instante para entender o que estava acontecendo, foi por pouco que não conseguiu abocanhar a ave que descia rapidamente em direção à batalha e tirá-la de seu curso. Prendendo Lysanthia em forma de ave em suas poderosas mandíbulas, Tyordormi voltou para o alto segurando com cuidado, mas firmemente, a druida, que tornou a olhar para baixo.

Zahnia estava cercada por Satyrs, sendo uma das poucas sobreviventes do ataque. Ainda que os paladinos tenham derrubado muito mais Satyrs, eles perderam o combate, isso era visível. E os prisioneiros, Zahnia entre eles, estavam sendo acorrentados e presos à estacas de madeira, enquanto outros Satyrs arrancavam suas armaduras e vestes, os forçando a assistir enquanto os demônios profanavam os corpos dos que haviam caído. Os presos mal conseguiam manter-se despertos, mas apenas uma delas, que hurrava e gritava, ainda lutava para tentar se soltar, gritando ora em sua língua natal, ora em linguagem comum, para que tirassem suas mãos da outra draenei, que ora ela chamava de “flor”, ora de “filha”, ora de “vida”.

Então o tempo começou a correr mais rápido, com movimentos passando em um borrão no chão, as nuvens passando mais rápido e dia virando noite, enquanto a druida transformava-se lentamente em elfa novamente. Ela ainda dentro da boca semi-fechada da dragoa, mas quase não oferecia mais nenhuma resistência, visivelmente alquebrada pelo que tinha visto. A dragoa podia sentir o gosto salgado das lágrimas da druida que tivera que aprisionar, mas manteve-se firme. Pelo menos para a druida, que não pôde ver a única lágrima que escorreu do olho esquerdo de Tyordormi.

Quando o tempo diminuiu sua velocidade novamente, o campo de combate estava parado, os corpos dos draenei mortos estavam ainda ali caídos, apenas um dos presos ainda estava se movendo, ainda que pouco. Era Zahnia que, ainda que com seu corpo fragilizado, tentava se libertar. Os Satyrs haviam desaparecido. Lysanthia sentiu que a mândíbula que a mantia presa se abria, a deixando livre. Sem pensar duas vezes, começou a se mover, primeiro lentamente, testando a reação da dragoa, que permaneceu impassível, depois se soltando novamente em direção ao chão, transformando-se em ave.

Sem ser interrompida em seu vôo desta vez, Lysanthia pode descer ao lado da draenei, e transformando-se em urso, arrancou facilmente as amarras que prendiam a draenei, virando elfa novamente para segurar a draenei que ameaçava cair. Assim que segurou a draenei, foi empurrada por ela com força, que Lysanthia não esperava que houvesse ainda em Zahnia que gritou algo e correu para o norte. Ou tentou correr, pois caiu pouco depois.

Lysanthia ameaçou seguir, mas ao sentir uma mão segurar seu ombro, virou-se e viu Tyor, em forma de highelf ao seu lado. Sequer a ouvira pousar ou andar, tão focada estava em ajudar a draenei.

- Deixe-na, Lys. – disse Tyor, com a voz calma. – Já a deixei interferir demais. Ela precisa ser encontrada para dar continuidade à sua vida.

- Qual vida? – respondeu nervosa a druida. – Diga-me, Tyor, qual vida? Ela vai morrer ali, com esses Satyrs por aqui!

- Ela viveu o suficiente para te convidar para a Burning Rose, não? – respondeu ainda calma a dragoa. – Precisamos voltar ao seu tempo, agora.

- E o que será dela, Tyor? – respondeu Lysanthia, sentindo suas pernas fraquejarem e lágrimas escorrendo seu rosto. – Como ela pode ter sobrevivido à perda de sua filha?

- Te explicarei no caminho de volta à Darnassus do futuro, no nosso presente, que é nosso destino. – disse Tyor, virando novamente dragão e esticando suas asas, preparando-se para voar.

Lysanthia não se moveu para subir na dragoa, mas também não fez objeção quando foi pega delicadamente pelas hábeis patas dianteiras de Tyordormi, como uma criança adormecida.

Enquanto voavam em direção noroeste, rumo a Darnassus, Tyor contou que pouco depois de ter sido solta, um destacamento da Hand of Argus recuperou Zahnia, que estava em estado semi-consciente, e foi levada de volta à Exodar. Lá, mesmo tendo suas feridas curadas por seus semelhantes, foi apenas com a visita do Lich King em sua mente que a draenei pôde se levantar, e seguir seu destino rumo à fortaleza negra Acherus em Eastern Plaguelands, tornando-se uma das guerreiras do Rei Lich, uma Death Knight.

Estamos vivos, seus imprestáveis filhos de moluscos preguiçosos!!!

É dia do pirata hoje, então esperem que eu pragueje muito! yarrr!!

Estamos de volta à esta terra de riquezas, rum e carnaval! E não vemos a hora de ir embora! Har har har!

Mais dois dias de velas diminuidas, mas logo os ventos nos levarão rumo aos nossos caminhos.

Então aproveitemos a calmaria, e que o rum, as carnes e as mulheres fáceis venham!! (apanha da Carol)

Yo-ho-ho!!

Assim que saiu da destilaria, puxando um pouco mais sua capa para se proteger melhor do frio, olhou ao redor, analisando a gélida paisagem de Dun Morogh. Há tempo que ela não ia até aquele canto gelado de Azeroth, ainda que não fosse longe. Olhando os rostos e a quantidade de anões na região, foi fácil ver que estava sim em seu próprio tempo; haviam poucos anões na região da destilaria.

Voltando para a taverna, chamou pela anã que estava a servindo. Prontamente a anã apareceu, enxugando as mãos em um pano um tanto sujo.

- Pois não, senhora Lafianna, o que deseja? – falou sorrindo a anã.

- Em primeiro lugar, que me chame de Lys. – respondeu sorrindo a elfa. – Em segundo, que explique minha chegada aqui, se for possível. E gostaria de um pedaço de pão, por favor.

- Claro, Lys. – repondeu sem se abalar a jovem. – Por favor, sente-se em uma das mesas superiores que já vou levar seua refeição e contarei o que houve.

Lysanthia sentou-se em uma das mesas do patamar superior da estalagem, onde estavam conversando o anão treinador de Paladinos e o gnomo Mago em torno de algum assunto que, no atual estado de abstração da elfa, não fazia sentido algum.

E logo a anã Helgan estava de volta com pequenos pães uma caneca de cerveja e alguns pedaços de queijo. E Helgan contou que a elfa havia sido trazida por uma outra elfa, chamada Tyor, que pediu para que cuidassem da druida, que estava febril. Helgan disse também que Lysanthia estava febril e dormindo há três dias e que só com a ajuda da Luz Sagrada a elfa pôde se recuperar, além do frio de Dun Morogh. Foi também quando a druida soube que Helgan era uma Paladina. Pensou em convidá-la para a guilda, mas achou que seria melhor alguém entrar em contato com ela. Falaria com Myria, ou com Arviny depois sobre a jovem anã.

Terminada sua refeição, Lysanthia novamente andou para fora da estalagem, para sentir o ar gelado, aproveitar a calma que estava sentindo naquele momento. Calma que sabia que acabaria em instantes, ao ver ao longe o dragão de bronze que se aproximava de Kharanos. Ficou feliz de notar que já reconhecia de longe o padrão de vôo de Tyordormi. Enquando a dragoa se aproximava, Lysanthia se dirigiu para a entrada do vilarejo, de forma que a dragoa tivesse mais espaço para pousar.

Quando a dragoa pousou, Lysanthia já estava próxima a ela, e acariciou seu longo pescoço, sorrindo. A dragoa deitou-se no chão de pedra, ficando ali alguns poucos minutos, recebendo a atenção, também sorrindo.

- É bom vê-la bem novamente, Lys. – disse a dragoa, com sua voz gutural na forma draconiana. – Espero que tenha descansado.

- Obrigada pela preocupação, Tyordormi. – respondeu a druida, alisando a cabeça do leviatã. – Descansei sim, e sua escolha para meu repouso foi ótima.

- Eu sei. – falou a dragoa, acompanhando o andar de Lysanhtia com o olhar. – Seus feitos ainda são comentados em todos os cantos de Azeroth. Ou serão, não tenho certeza agora.

- Que bom. Estava mesmo pensando em convidá-la para a Burning Rose. – respondeu Lysanthia.

- Ainda não o fez? – perguntou Tyor. – Bom, não se preocupe quanto a isso. E, por falar em Burning Rose, acredito que é hora de você viajar novamente.

Lysanthia pode sentir a alteração no tom de voz ao mesmo tempo que sentiu uma sombra passar pelos olhos da dragoa. Aparentemente, Tyor sentia pesar pelo que estava fazendo a druida passar, mas talvez não tivesse escolha.

- Não se preocupe comigo, Tyordormi. – falou a elfa, que sempre falava o nome completo da dragoa quando ela estava em sua forma natural. – Depois do que vi há poucos dias, acho pouco provável que eu possa sofrer mais.

- Infelizmente não, Lys. – repondeu a dragoa, com a voz carregada de tristeza. -Você deve sofrer bem mais agora. Embora eu não deseje mal a você, e saiba o quanto a machucará, não tenho escolha.

O olhar de Lysanthia mostrou claramente algo que ela mesma não sentia há centenas de anos: medo. Não medo de morrer, pois isso era uma possibilidade palpável para todos os habitantes de Azeroth, mas medo do que iria ver. E deve ter demonstrado isso claramente à dragoa, que fechou os olhos e foi possível ver uma lágrima escorrendo no rosto escamado da grande criatura.

- Pois bem. – falou Lysanthia, depois de respirar fundo e controlando sua voz. – Vamos. Quanto antes passarmos por isso, melhor.

- Agora entendo o que ela viu em você. – falou Tyordormi, depois de analisar um tempo a elfa. – sua coragem se iguala a de um dragão. Então, que assim seja.

Tyordormi virou o pescoço indicando para a elfa subir, sendo prontamente entendida e obedecida. Quando sentiu que a elfa segurava-se firmemente, levantou-se e alçou vôo, criando um portal à sua frente, que mostrava uma paisagem levemente avermelhada.

Assim que abriu os olhos, a druida notou que estava em um lugar diferente de onde estava quando se deitou. Não estava mais em Darnassus, isso era óbvio. O cheiro suave das madeiras de seixo, que emanavam das casas por toda Teldrassil, já não podiam ser percebidas; estavam sobrepostas por outros odores, ou então não estava mais em terras élficas. Prestando atenção à audição, eram óbvias duas coisas: estava em uma estalagem, e ela tinha muitos anões. Seu olfato também confirmava o fato dos anões, já que o cheiro de cerveja e de carne sendo assada permeavam o ambiente.

Apesar de carne não ser seu alimento favorito, Lysanthia notou o quanto estava com fome. E notou que sequer lembrava-se de quando havia comido. Resolveu que iria comer algo assim que descobrisse onde estava. Como Tyor não estava em seu campo de visão, sentou-se na cama para se trocar, notando que suas roupas comum, de couro, já estavam ali ao lado da cama.

Enquanto a druida terminava de prender seus braceletes, uma anã entrou no quarto com roupas de cama novas. A anã trajava um simples vestido escuro, que combinava com seus longos cabelos pretos presos em tranças grossas nas costas, contrastando com o semblante calmo que ostentava.

- Oh, desculpe, elfa. – falou a anã. – Não sabia que estava acordada. Quer que volte alguma outra hora?

- Não será necessário, obrigada. -  Respondeu Lys. – Mas diga-me, onde estou, que sinto tanto frio?

- Ah, preciso reacender a lareira. – replicou a anã, olhando para a lareira que tinha apenas brasas. – Você esta em Kharanos, na Destilaria Thunderbrew. Sua amiga elfa a trouxe aqui, achei que soubesse.

- Por Elune… – comentou Lysanthia. – Tyor me trouxe até Dun Morogh? Obrigada, pequena. Como se chama?

- Helgan Pilsnor, à seu dispor, madame. – respondeu com uma cortesia a anã. – Pode procurar por mim aqui na taverna que estou aqui para serví-la.

- Obrigada, senhorita Pilsnor. – a elfa respondeu, sorrindo. – Me chamo Lysanthia Lafianna, líder da guilda Burning Rose. Mas pode me chamar de Lys.

- Perfeitamente, senhorita Lys. – respondeu a anã, já na porta. – Pode me chamar de Hel, então. Com licença!

Com a saída da anã, Lysanthia terminou de se vestir e se equipar, pensando em como a anã ficara animada ao ouvir a palavra guilda. Talvez devesse conversar com ela a respeito. Mas no momento, precisava comer algo e entrar em contato com sua companheira, para entender porque estava ali. Mas sabia que ela entraria em contato em breve. Então ocorreu a dúvida: estaria ainda em seu próprio tempo?

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